quinta-feira, 1 de março de 2012

Moodaremos o Mundo




   Caminho apressadamente no meio de um oceano de pessoas com olhar vazio, sou apenas mais um dos anónimos cidadãos que todos os dias sabe de cor o trajeto até ao seu emprego, emprego do qual poderemos até não gostar, tudo por causa do filho da puta do nosso chefe a quem odiamos de "morte", ele que para subir na hierarquia da empresa faz de tudo para nos rebaixar, puxando para a sua pessoa os louros que deveriam ser de um qualquer outro, ou até do nojo que nutrimos pelo imprestável colega que é o "bufo" de serviço e faz relatórios pormenorizados sobre tudo o que os colegas dizem ou fazem na hora de expediente.

Emprego esse que apesar de todas essas vicissitudes, agarramos com unhas e dentes para podermos pagar o empréstimo da casa ou do carro que comprámos, as despesas com a educação dos filhos, ou simplesmente para nos alimentarmos e vestirmos, mesmo que tragamos a cobrir o nosso corpo umas roupas gastas que já nem nos lembramos onde as adquirimos, ou até nos esqueçamos que o nosso almoço é uma sopa e uma carcaça com um rissol dentro, num qualquer snack-bar de esquina.


   E lá estou eu por entre a multidão, nas escadas rolantes de uma qualquer estação de metropolitano de Lisboa, olhar posto no bico dos meus sapatos e nos calcanhares da pessoa que me precede, uma defesa que arranjei para não olhar para o lado e ver alguém de mão estendida a pedir uma esmola, de um idoso com dificuldades de locomoção a precisar de uma mão amiga ou de uma qualquer pessoa angustiada necessitando de um ombro amigo.
Continuo a caminhar (agora no passeio de uma qualquer rua), e para além do olhar mortiço no chão que me faz aqui e ali esbarrrar num qualquer outro que caminha como eu, escuto nos "headphones" uma música que passa numa qualquer estação de rádio, embora definitivamente desconheça o intérprete pois nem sequer estou a ouvir o que me entra pelos ouvidos...é apenas mais uma defesa que arranjei, para evitar que alguém me interpele para um qualquer inquérito manhoso ou para mais um peditório solidário...   

 No "chip" que introduzi na minha cabeça apenas penso como poderei conseguir passar mais um dia no trabalho, sem fazer nenhuma asneira, mandando o chefe à merda ou pior, apertando-lhe o gasganete e colocando o seu rosto da côr da camisola do Benfica, até que venha alguém afastá-lo das minhas garras...Não é que nutra um ódio de estimação pelo meu chefe, mas apenas porque para mim, ele é a personificação da prepotência e arbitrariedade que abomino, e o pior é que cada vez mais estou a ficar parecido com ele; a forma automática como decorrem todos os meus dias, o quase desprezo que sinto pelo meu semelhante a ponto de o ignorar com todas a minhas defesas, faz-me cada vez mais sentir uma máquina e não um ser humano. 


    Então é assim, a partir de agora nunca mais vou mergulhar o olhar no chão e vou passar a ver quem caminha a meu lado (mesmo que não seja pedinte), vou escutar o que qualquer indivíduo tenha para me dizer (mesmo que não possa contribuir para a causa), e vou mais do que tudo evitar fazer algo de mal ao meu chefe, pois ele precisa é de alguém que o compreenda e o ajude a ver o caminho; o caminho que deveremos escolher não é o do ódio mas sim o do Amor, da compreensão e da fraternidade, pois só todos juntos poderemos desbravar o caminho pejado de escolhos que temos para ultrapassar...o nosso "focus" tem de estar nos políticos e políticas que nos vão fazendo cada vez mais autómatos sem sentimentos e emoções, e cada vez menos pessoas com todas as coisas erradas que o ser humano tem, mas com a racionalidade para pensar num bem comum. 

    Estou a sair de casa, os "headphones" ficaram na mesa de cabeceira, a música que hoje irei ouvir serão os ruídos que emanam num qualquer dia a dia normal, o chilrear dos pássaros, as buzinadelas de insatisfação de um qualquer automobilista, o praguejar de um qualquer indivíduo... Irei olhar para o meu semelhante e dar-lhe um sorriso mesmo que ele não retribua o gesto...Vou mudar-me e com isso, a pouco e pouco tentarei que os outros mudem...Amanhã seremos já mais cidadãos sem "headphones" nos ouvidos e com um sorriso no rosto, a caminhar no meio de uma multidão cada vez menos anónima...

Esta é a minha maneira de tentar mudar o mundo ou pelo menos... o meu mundo! :) 

domingo, 3 de abril de 2011

"Ditados" e "Ditaduras"

"Ser ou não ser, eis a questão"
Já dizia o ancestral dramaturgo,
"Vivemos num mundo de ilusão"
Digo eu, que habito neste burgo.




"Sem pão, todos ralham sem razão"
Assim informa o célebre ditado,
"O povo necessita é de união"
Digo eu, assim á laia de recado.




"Esmola grande, pobre desconfiado"
Indubitável e proverbial realidade,
"Que triste vida e que negro fado"
Digo eu, farto de toda esta falsidade.




"Com papas e bolos se enganam os tolos"
A melhor descrição da actualidade,
"Por favor políticos, parem com estes dolos"
Digo eu, alertando toda a sociedade.




"Manda quem pode, obedece quem deve"
Está já um pouco descontextualizado,
"Paga o pobre as contas que o rico deve"
Digo eu, farto de ser usado e enganado.




"Mudam os tempos, mudam as vontades"
É mesmo aquilo de que todos precisamos,
"Acabemos com esta feira de vaidades"
Digo eu, agora que a mente despertamos.



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segunda-feira, 28 de março de 2011

Poema "F"

Fui fraco, falsa
Figura;
Frio, fálico ferro
Ferrugento,
Facada flácida, formal
Fractura,
Fado ferido, fugaz
Firmamento.




Foste fantástica,
Formosa,
Frugal fantasia
Feminina;
Fruta farta, fonte
Famosa,
Forte,furiosa,fera
Felina.




Futuro fremente, fiel
Fortaleza,
Faremos festa, farra
Folia,
Final feliz? Fútil
Fraqueza,
Felicidade fundeada, feneceu
Fria.

quinta-feira, 24 de março de 2011

Pai, Inesquecível Pai!

Durante toda vida foste meu suporte
Deste conselhos, ofereceste tua mão
Fizeste de mim um homem mais forte
Mais do que um pai, foste um irmão
A tua obra não termina com a morte
Ficarás sempre vivo no meu coração




Ainda te lembras do nosso segredo
Polegar ao alto se tudo estava bem
Viveste teus últimos dias com medo
"Abandonares" tua esposa, minha mãe
Ias partir da vida demasiado cedo
Estava marcada a viagem para o Além




Pai querido e fraterno
Serás para sempre meu
Fugiste deste inferno
Foste morar para o Céu
Agora és uma estrela
Brilhando entre as demais
Certamente a mais bela
Tua face não esqueço jamais




Guias-me agora ao longo da vida
Sei que aí do alto me iluminarás
Nesta minha longa e dura corrida
De escolhos e barreiras me livrarás
A tua morte foi o ponto de partida
Não mais deverei olhar para trás.




Fizeste de mim forte e não fraco
O que se levanta quando alguém cai
Aquele que mesmo caíndo num buraco
Esfola mãos e joelhos mas dele sai
Sujeito que mesmo desfeito num caco
Irá ter a força doada por ti meu PAI




Umas lágrimas salgadas
Deslizam pelo meu rosto
As palavras são caladas
Pelo profundo desgosto
A vida por vezes é dura
Nem sempre de rosa pintada
Por isso PAI, tenho a tua figura
Sempre no meu coração tatuada

sexta-feira, 18 de março de 2011

O Amor, esse desconhecido...

Sentimento descomunal
Ambíguo e perturbador
Tem vezes que é carnal
Outras causa leve rubor
Mas não vivemos sem ele
Têmo-lo sob a nossa pele
E durante a nossa vida
É também enorme ferida...


O Amor é dor
Mas também é alegria

O Amor é calor
Funde o gelo da nostalgia


O Amor é uma côr
Pinta a nossa harmonia


O Amor é vigor
Enche-nos de energia


O Amor é uma flor
Que cresce dia a dia


Mas também é estupor
Desaparece como por magia



Nessa altura de embaraço
A vida é caos e confusão
Precisamos de um abraço
Que nos conforte o coração
Mas recusamos por mero engano
Temos medo que nos causem dano
Só que tarde ou cedo acordamos
E de novo ao Amor nos entregamos...


O Amor é dor
Mas também é alegria


O Amor é calor
Funde o gelo da nostalgia


O Amor é uma côr
Pinta a nossa harmonia


O Amor é vigor
Enche-nos de energia


O Amor é uma flor
Que cresce dia a dia

Mas também é confortador
Reaparece um qualquer dia







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quarta-feira, 16 de março de 2011

BAILE DO POVÃO*

Ainda se lembra senhor
Como tudo começou?
Se esqueceu, eu não...
Vossa primeira maioria
Mandaram na assembleia
Foi um grande festão!




Os socialistas a sorrir
A direita estava a pedir
O Bloco e comunas também
Agora sozinhos a mandar
Com o Durão a ajudar
Tudo iria correr bem...




(Refrão)


Afinal tudo descambou
O Mundo todo mudou
Aperte, aperte com eles
Os juros a aumentar
O povo sem trabalhar
Aperte, aperte com eles
Não apertámos a tempo
Não pensámos um momento
Aperte, aperte com eles
Assim senhor, pois então
Criámos uma situação
O povo ralha com razão




Senhor, desculpe insistir
O que está ainda para vir
Para piorar a situação?
Vamos levar com o FMI,
A Merckl vai mandar aqui
Ou ficamos sem tostão?




Como diria o Tiririca
Isto pior não fica
Os tempos são manhosos
Só vejo uma solução
Lutar pela demissão
Dos políticos "gulosos"




(Refrão)


Afinal tudo descambou
O Mundo todo mudou
Aperte, aperte com eles
Os juros a aumentar
O povo sem trabalhar
Aperte, aperte com eles
Não apertámos a tempo
Não pensámos um momento
Aperte, aperte com eles
Assim senhor, pois então
Criámos uma situação
O povo ralha com razão

*Baseado na letra "Baile de Verão" de José Malhoa.

segunda-feira, 14 de março de 2011

A Marioneta

Pobre figurinha de trapos vestida,
Orfã de ideias, inerte, sem vida,


És homem, mulher, por vezes menino,
Deixas que outros tracem teu destino,


O sindicalista, o patrão, o bancário,
O político e o teu filho se necessário,


Levantam-te o pé, erguem-te a mão,
Andas a reboque, vives sem condição,


Miserável fantoche de fios rodeado,
Em toda a tua vida serás sempre usado,


Não pensas, não ages, não tens voz,
Quem te comanda é teu próprio algoz,


Não tens objectivos, não tens futuro,
Vives permanentemente num palco escuro,


Por quanto mais tempo vais ser comandado?
Será que um dia não ficarás revoltado?


E quando esse dia chegar irás soltar-te,
Desse longo emaranhado de fios a rodear-te,


Saltarás o muro, enfrentarás a claridade,
Encontrarás finalmente a tua liberdade,


Junto dos teus iguais, seguirás novo rumo,
Ganharás confiança, coragem e aprumo,


Levará algum tempo, mas depois como por magia,
Saberás o que significa realmente a Democracia.