segunda-feira, 14 de março de 2011

A Marioneta

Pobre figurinha de trapos vestida,
Orfã de ideias, inerte, sem vida,


És homem, mulher, por vezes menino,
Deixas que outros tracem teu destino,


O sindicalista, o patrão, o bancário,
O político e o teu filho se necessário,


Levantam-te o pé, erguem-te a mão,
Andas a reboque, vives sem condição,


Miserável fantoche de fios rodeado,
Em toda a tua vida serás sempre usado,


Não pensas, não ages, não tens voz,
Quem te comanda é teu próprio algoz,


Não tens objectivos, não tens futuro,
Vives permanentemente num palco escuro,


Por quanto mais tempo vais ser comandado?
Será que um dia não ficarás revoltado?


E quando esse dia chegar irás soltar-te,
Desse longo emaranhado de fios a rodear-te,


Saltarás o muro, enfrentarás a claridade,
Encontrarás finalmente a tua liberdade,


Junto dos teus iguais, seguirás novo rumo,
Ganharás confiança, coragem e aprumo,


Levará algum tempo, mas depois como por magia,
Saberás o que significa realmente a Democracia.

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